domingo, 12 de maio de 2013

"Orfandade"




Orfandade

Meu Deus

me dá cinco anos

Me dá um pé de fedegoso com formiga preta,

me dá um Natal e sua véspera,

o ressonar das pessoas no quartinho.

Me dá a negrinha Fia para eu brincar,

me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.

Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,

me dá a mão, me cura de ser grande,

ó meu Deus, meu pai,

meu pai.

ADÉLIA PRADO - in "Poesia reunida"



Adélia Prado me fazendo lembrar minha mãezinha! Lá em casa tínhamos uma babá: Bá assim que era chamada. Ela tinha sido escrava e foi depois trabalhar conosco, ajudando minha mãe com as crianças, que não eram fáceis. Bá morreu pouco depois que eu nasci. Ela dizia que o mundo estava muito ruim e não queria mais viver. Minha mãe conta que ela já fraquinha dizia:
Dª Alice traz a Cecília aqui, coloca ela no meu colo.
Tenho certeza que esta alma boa está no céu ao lado de nossos familiares, porque ela era muito amada por todos lá em casa.
Eu cresci ouvindo contar estórias da Bá.
Hoje dia das mães quero fazer uma homenagem as queridas mães de nossa família que já estão no céu e especialmente a minha mãe e irmãs Didi e Cidinha.

“..me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,
 me dá a mão, me cura de ser grande, 
ó meu Deus, meu pai, meu pai."


3 comentários:

  1. :´(
    Me emocionei. Quando comecei a ler já sabia que isso ia acontecer.

    Muito linda a poesia e muito admirável sua memória sobre a "Bá".
    Grande abraço vó. Te amo muito. Tenha um feliz dia das mães.

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  2. Lucas Silva Araújo
    Oi vó, como foi o almoço hoje ? Eu estava determinado a só conversar com vocês, desejar um feliz dia das mães... algo simples... algo que não me fizesse parar pra pensar de fato em vocês.
    Soa egoísta? Pode ser, mas pra mim é mais uma tentativa de autopreservação sabe?
    Não adiantou tentar. Eu sabia que não devia ter clicado no ultimo link do seu blog.
    Caramba vó... não me bateu só saudade. Eu senti medo. Aquele poema me fez chorar de medo.
    Senti medo de algum dia voltar a lê-lo e lembrar de você. Não quero nunca ter de pedir a Deus para me dar minha vó de volta.
    Não quero nunca me lembrar de seus momentos fraternais, aqueles de quando você sorri e abre os braços para um abraço. Aqueles que você diz “vem, vem pra mesa... vamos rezar antes da ceia.”
    “Feliz aniversário meu neto.”
    “Hoje você vai a missa comigo não vai?”
    Mesmo que eu não vá a missa com você quando me pede ainda sinto o amor que você me oferece nesse e nos outros momentos.
    Choro hoje por não ter conseguido te abraçar. Choro por não ter ouvido você me chamar para almoçar.
    Te amo com sinceridade e todos os Deuses devem ser capazes de testemunhar isso. Abençoada sejas"

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    1. Lucas meu neto querido! Quanta emoção ! Obrigada ! Te amo! Bjsl

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