Orfandade
Meu Deus
me dá cinco anos
Me dá um pé de fedegoso com formiga preta,
me dá um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dá a negrinha Fia para eu brincar,
me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai,
meu pai.
ADÉLIA PRADO - in "Poesia reunida"
Adélia Prado me fazendo lembrar minha
mãezinha! Lá em casa tínhamos uma babá: Bá assim que era chamada. Ela tinha
sido escrava e foi depois trabalhar conosco, ajudando minha mãe com as
crianças, que não eram fáceis. Bá morreu pouco depois que eu nasci. Ela dizia
que o mundo estava muito ruim e não queria mais viver. Minha mãe conta que ela
já fraquinha dizia:
Dª Alice traz a Cecília aqui, coloca ela no
meu colo.
Tenho certeza que esta alma boa
está no céu ao lado de nossos familiares, porque ela era muito amada por todos
lá em casa.
Eu cresci ouvindo contar estórias da Bá.
Hoje dia das mães quero fazer uma homenagem as
queridas mães de nossa família que já estão no céu e especialmente a minha mãe
e irmãs Didi e Cidinha.
“..me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dá minha mãe,
alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me
cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai, meu pai."





